Quarta-feira, Janeiro 28, 2004




Alimentação Alternativa

A sociedade civil e política acordou para a necessidade urgente de se posicionar frente ao gravíssimo problema da fome e da miséria.

Poucas pessoas, porém, perceberam que o mundo só será mais equilibrado e menos faminto quando cada pessoa, a começar por mim, independentemente de ser rico ou pobre, passar a comer de forma mais correta e mais completa.

As doenças da fome dependem de uma decisão política para serem erradicadas. São elas:

- desnutrição,
- anemia,
- bócio (papo),
- falta de vitamina A,
- cárie dental e
- falta de micronutrientes (zinco, ferro, iodo, etc.).

A mortalidade infantil por desnutrição depende da qualidade e quantidade de alimentos oferecidos a essas crianças, porém há incidência e morte por doenças da civilização como:

- doenças cardiovasculares (enfarto, hipertensão, etc.),
- arteriosclerose,
- diabetes,
- vários tipos de câncer,
- constipação intestinal,
- cálculo de vesícula,
- varizes,
- doenças articulares,
- obesidade, etc.,

que acometem principalmente pessoas de mais de 30 anos. São elas próprias as responsáveis pelo que comem. Portanto, nenhum programa de prevenção dessas doenças pode modificar a sua incidência se eu mesmo não quiser ter saúde.

Mas o que eu gosto de comer no dia-a-dia é muito difícil de mudar.

Alimentação Alternativa propõe o enriquecimento daquilo que eu gosto com um concentrado de minerais e vitaminas para se obter uma dieta mais equilibrada, sem mudar o sabor ou tipo de preparação.

Essa "pequena" decisão leva a uma economia média de 30% do que comemos, melhorando a qualidade. Multiplique esse volume pelo número de brasileiros e você poderia imaginar o significado de uma atitude pessoal que se propaga como uma "saúde contagiante".

Um país que não conseguiu acabar com as doenças da fome, como vai enfrentar as doenças da civilização que nem os países ricos conseguiram?

É um desafio. Usar para crer. Dizer "eu não acredito, não tem comprovação científica" é uma atitude de quem quer manter a situação tal como está.

É urgente uma tomada de decisão porque: "Quem tem fome não pode planejar o futuro" (OMS).


Terça-feira, Janeiro 20, 2004




Relatório da ONU alerta sobre a fome no mundo

Roma - Apesar dos esforços internacionais para reduzir a pobreza, a fome cresce no mundo, depois de ter diminuído durante a segunda metade da década de 90. Cerca de 850 milhões de pessoas passam fome a maioria delas na áfrica e na ásia. O número de desnutridos nos países em desenvolvimento cresce à razão de quase 5 milhões de pessoas por ano. Os dados são do relatório anual da FAO, a agência das Nações Unidas voltada para a agricultura e a alimentação, que está sendo divulgado hoje. O relatório, "O Estado da Insegurança Alimentar no Mundo", apresenta um quadro desolador.

Há, no entanto, algumas boas notícias no relatório: 19 países conseguiram reduzir o número de famintos desde 1990-1992. Um total de 80 milhões de pessoas saiu da faixa dos desnutridos nesses países entre os quais o Brasil. "Essa lista inclui" diz o relatório "países grandes e relativamente prósperos, como o Brasil e a China, onde o nível de subnutrição já era moderado, e também países menores, onde a fome era maior, como o Chade, a Namíbia, Sri Lanka e a Guiné". Bangladesh, Haiti e Moçambique estão entre os 22 países que conseguiram "reverter a maré de fome" na segunda metade dos anos 90.

O relatório cita entre os sinais positivos a promessa do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva de erradicar a fome antes do fim de seu mandato, daqui a pouco mais de três anos. Apesar disso, o levantamento da FAO indica um retrocesso na luta contra a fome nos cálculos mais recentes - feitos entre 1999 e 2000 -, o que torna cada vez mais remoto o objetivo da ONU de reduzir pela metade o número de desnutridos no mundo até 2015, diz o diretor-geral adjunto da FAO, Hartwig de Haen. "é preciso acelerar as reduções anuais a 26 milhões, mais de 12 vezes a taxa de 2,1 milhões alcançada durante os anos 90", explicou.

A FAO afirmou que "é hora de os países descobrirem porque milhões de pessoas passam fome em um mundo que produz alimentos mais do que suficientes para cada homem, mulher e criança". "Para sermos claros, o problema não é tanto da falta de alimentos, mas de falta de vontade política", considerou a agência. Segundo a FAO, salvo quando a guerra e os desastres naturais atingem os países em desenvolvimento, "se fala pouco e se faz menos ainda" para aliviar o sofrimento de 798 milhões de pessoas que padecem de fome crônica nesses países. Esta cifra é superior à toda população da América Latina e da áfrica, informou a FAO. A esses números ainda se somam 11 milhões de famintos nos países desenvolvidos e 34 milhões nas nações em desenvolvimento.

A reunião sobre a fome realizada pela ONU em 1996 adotou a meta de reduzir o número de desnutridos pela metade até 2015. A reunião do Milênio, em setembro de 2000, colocou este objetivo no topo das prioridades globais. O número de famintos, que caiu 37 milhões na primeira metade dos anos 90, aumentou mais de 18 milhões, à razão de 4,5 milhões por ano, entre 1995 e 2001, no mundo em desenvolvimento. (AP)


Sábado, Janeiro 17, 2004




Começa o Fórum Social Mundial em Bombaim, na Índia

Mais de cem mil pessoas estão reunidas em Bombaim, na Índia, para o quarto Fórum Social Mundial.

Ativistas políticos, estudantes e intelectuais abriram o encontro pedindo o fim da guerra no mundo. Durante seis dias, eles vão discutir temas como o comércio mundial, a reformulação da ONU, o racismo e a miséria.

O Fórum Social Mundial surgiu no Brasil, em 2001, como uma alternativa ao Fórum Econômico Mundial, que acontece anualmente em Davos, na Suíça.

No Brasil, o assessor de assuntos internacionais da presidência, Marco Aurélio Garcia, anunciou que o presidente Lula vai propor a criação de um imposto mundial para o combate à fome no mundo, inspirado na CPMF: o imposto sobre o cheque aqui do Brasil. A idéia ainda está em estudos e será debatida com o presidente da França, Jacques Chirac, e com o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, num encontro na Suíça, no fim do mês.


Jornal Nacional em 16/01/2004

Quarta-feira, Janeiro 14, 2004




A urgência da fome

Se excluída a elite privilegiada, condição conquistada por suposta inspiração divina, sangue ou violência, a esmagadora maioria da humanidade atravessou os séculos preocupada prioritariamente em garantir o mais básico dos direitos, a alimentação. O desenvolvimento econômico verificado a partir da segunda metade do século 19, e, principalmente, após a Segunda Guerra Mundial, colocou a obtenção de alimentos em segundo plano, pelo menos no Ocidente. Acumulação de patrimônio, educação, e até lazer, passaram a abocanhar fatias cada vez maiores dos orçamentos domésticos, mesmo entre classes médias. Talvez seja essa principal característica de países do chamado "Primeiro Mundo". Infelizmente, a fome ainda acompanha uma razoável parcela da humanidade. E se for levada em conta as pessoas com renda disponível apenas para a alimentação, essa parcela se torna majoritária. Em pleno século 21, a humanidade ainda não conseguiu proporcionar a todos a mais elementar das necessidades.
Na edição do último domingo, A Notícia revelou que um em cada dez trabalhadores catarinenses recebe o suficiente apenas à compra da cesta básica. O levantamento não contabiliza os desempregados, que poderiam aumentar evidentemente os índices negativos. No estudo "Mapa da Fome", a Fundação Getúlio Vargas apontou a existência de 767 mil miseráveis em Santa Catarina, justamente um dos Estados mais desenvolvidos do País e reconhecido pela qualidade de vida. Mas ainda longe de oferecer as benesses a todos.
A dimensão da fome no mundo é tamanha que chega a ser surpreendente que não ocupe papel central entre as preocupações do mundo. A Organização para a Agricultura e Alimentação (FAO), mantida pela Organização das Nações Unidas (ONU), garante que 826 milhões de pessoas passam fome no mundo. Não é carência nutricional ou falta periódica de alimentos, é fome crônica, mesmo. Esse conjunto representa um sexto da humanidade. A ONU trabalha com o objetivo de reduzir esse índice pela metade até 2015, mas a própria FAO considerou a meta "inatingível", mesmo que as vítimas da fome tenham encolhido em 14% na década de 90. A África lidera o ranking da fome entre os continentes, embora milhões sejam atingidos na Ásia e América do Sul e Central.
O combate à fome deve receber os maiores esforços de quem se preocupa por um mundo melhor. Afinal, se trata de um direito elementar. Sem comida, não se pode nem discutir outros bens tão salutares, como educação e direito ao meio ambiente preservado, por exemplo. Independentemente das estratégias de desenvolvimento econômico ou de metas de planejamento para elevação da produção de bens e serviços, planos cujos dividendos (se porventura se concretizarem) só serão sentidos a médio ou longo prazo, hoje tem gente morrendo de fome em um mundo que produz alimentos em capacidade para atender uma população bem maior. Neste exato momento, um prato de comida é bem mais importante que discussões sobre nova ordem mundial, globalização ou comércio exterior, por mais decisivos que o sejam e, que, como pano de fundo, também objetivam a eliminação da carência de alimentos. Se a fome não for um problema de todos, nenhum outro merece tal distinção.

O combate à fome deve receber os maiores esforços de quem se preocupa por um mundo melhor. Afinal, se trata de um direito elementar. Sem comida, não se pode nem discutir outros bens


Sexta-feira, Dezembro 26, 2003




850 milhões de pessoas passam fome, diz a ONU

Relatório sobre a fome no mundo cita o Brasil entre os 19 países onde diminuiu o número de subnutridos nos últimos dez anos

Roma - Apesar dos esforços internacionais para reduzir a pobreza, a fome cresce no mundo, depois de ter diminuído durante a segunda metade da década de 90. Cerca de 850 milhões de pessoas passam fome - a maioria delas na África e na Ásia. O número de desnutridos nos países em desenvolvimento cresce à razão de quase 5 milhões de pessoas por ano.

Os dados são do relatório anual da FAO, a agência das Nações Unidas voltada para a agricultura e a alimentação, que está sendo divulgado hoje. O relatório, "O Estado da Insegurança Alimentar no Mundo", pinta um quadro desolador.

Há, no entanto, algumas boas notícias no relatório: 19 países conseguiram reduzir o número de famintos desde 1990-1992. Um total de 80 milhões de pessoas saiu da faixa dos desnutridos nesses países - entre os quais o Brasil. "Essa lista inclui" - diz o relatório - "países grandes e relativamente prósperos, como o Brasil e a China, onde o nível de subnutrição já era moderado, e também países menores, onde a fome era maior, como o Chade, a Namíbia, Sri Lanka e a Guiné". Bangladesh, Haití e Moçambique estão entre os 22 países que conseguiram "reverter a maré de fome" na segunda metade dos anos 90.

O relatório cita entre os sinais positivos a promessa do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva de erradicar a fome antes do fim de seu mandato, daqui a pouco mais de três anos.

Apesar disso, o levantamento da FAO indica um retrocesso na luta contra a fome nos cálculos mais recentes - feitos entre 1999 e 2000 -, o que torna cada vez mais remoto o objetivo da ONU de reduzir pela metade o número de desnutridos no mundo até 2015, diz o diretor geral adjunto da FAO, Hartwig de Haen. "É preciso acelarar as reduções anuais a 26 milhões, mais de 12 vezes a taxa de 2,1 milhões alcançada durante os anos 90", explicou.


Falta vontade política

A FAO afirmou que "é hora de os países descobrirem porque milhões de pessoas passam fome em um mundo que produz alimentos mais do que suficientes para cada homem, mulher e criança". "Para sermos claros, o problema não é tanto da falta de alimentos, mas de falta de vontade política", explicou a agência.

Segundo a FAO, salvo quando a guerra e os desastres naturais atingem os países em desenvolvimento, "se fala pouco e se faz menos ainda" para se aliviar o sofrimento de 798 milhões de pessoas que padecem de fome crônica nesses países. Esta cifra é superior à toda população da América Latina e da África, informou a FAO. A estes números ainda se somam 11 milhões de famintos nos países desenvolvidos e 34 milhões nas nações em transição.

A reunião sobre a fome realizada pela ONU em 1996 adotou a meta de reduzir o número de desnutridos pela metade até 2015. A reunião do Milênio, em setembro de 2000, colocou este objetivo no topo das prioridades globais. O número de famintos, que caiu 37 milhões na primeira metade dos anos 90, aumentou mais de 18 milhões, à razão de 4,5 milhões por ano, entre 1995 e 2001, no mundo em desenvolvimento.